Meu fascínio pelo cangaço

December 22, 2018

Venho de duas famílias com origens sertanejas, a família Pondé originária de Inhambupe (BA) e a Família Gonçalves de Oliveira da região de Bonfim(BA) e Campo Formoso(BA), por esse motivo tive uma infância fascinante, muito telúrica, diversa e totalmente integrada ao imaginário nordestino. Morávamos em Salvador, porém fazíamos viagens frequentes a Itaberaba(BA) e Entre Rios (BA), próxima de Inhambupe e terra onde nasceu meu avô materno Francisco Veloso Pondé.

 

 Na fazenda Conceição, em Entre Rios,  de antiga propriedade do meu Bisavô Pondé, onde nasceu o meu Avô Pondé, foi o primeiro contato que me recordo com as histórias do cangaço. Íamos pra lá na minha infância sempre nas festas de São João, pois a fazenda agora era propriedade de Zé Veloso, primo de meu avô, e lá era onde se reunia toda a família Veloso-Pondé e agregados.Era uma grande festa com quase centena de primos e "tios". A familía era tão grande que na sede da fazenda foram construídas várias casas anexas para caber todo mundo, ao todo eram quase 20 quartos. Dentro da casa grande da fazenda tinha um quarto com um altar de santos e uma foto do primeiro proprietário, o coronel Francisco de Oliveira Pondé (Meu bisavô) e eu sempre entrava lá e ficava admirando o seu retrato e imaginando como deveria ser aquele homem, que naquela altura já estava morto há quase 30 anos, creio.

 

Zé Veloso,o anfitrião, era quem contava as histórias de Lampião e me lembro que logo de cara me fascinou aquela figura de anti-herói rebelde que teve sua infância brutalmente mudada quando a polícia assassinou seu pai em sua frente por motivo de brigas de terra com vizinhos. Mais tarde, já na adolescência,  eu lia tudo que aparecia sobre ele e lembro também de relatos de um antigo funcionário de meu avô Anibal, chamado Major, lá de Campo Formoso, que contou que certa vez um vaqueiro da fazenda estava no mato com um rifle winchester papo amarelo e foi surpreendido pelos cangaceiros... Pois esse rifle foi parar anos depois lá na nossa fazenda em Itaberaba e meu pai dizia ter sido do meu bisavô Anibal Galvão de Oliveira lá em Campo Formoso. A história que Major contou pra nós em Itaberaba e que foi confirmada por meu pai, ganhava contornos fantásticos,  pois o vaqueiro estaria justamente com esse rifle quando encontrou os cangaceiros. Ao ser perguntado pelo cangaceiro Volta seca sobre o que fazia com o rifle, o funcionário respondeu " É pra matar onça..." e que o cangaceiro Volta seca ao confiscar o Rifle usando a alavanca fez a bala pular pra cima pegando ela no ar...E então com o rifle sem munição, o devolveu para o vaqueiro...Esse rifle ficou anos de posse de meu pai e eu sempre ficava o admirando, pois não tinha nem idade e nem curiosidade para atirar...

 

Todo esse fascínio deu origem a uma canção que fiz em parceria com minha amiga Janaina Moreno chamada "Lampião de Maria, que segue aqui.

 

Lampiao de Maria

 

 

 

 

 

 

 

 

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